domingo, 7 de junho de 2009

Uma Razão para Três Povos



A chave para compreender a viagem de Bento XVI à Terra Santa encerra-se numa palavra: peregrinação. O Papa disse-o e repetiu-o nestes últimos dias, insistindo várias vezes sobre a única intenção política deste seu importante itinerário, que é contribuir para a paz. E sobrevoando a Grécia, no encontro com os jornalistas, definiu com muita clareza que deseja contribuir para a paz não como indivíduo, mas em nome da Igreja católica. A qual não é um poder político, mas uma força espiritual.

Mas como pode uma força espiritual ser capaz de influenciar uma situação de persistentes tensões e conflitos, que há mais de sessenta anos pesa, complicada e dramática, sobre uma terra que é santa para os três grandes monoteísmos? Porque esta força espiritual é uma realidade. Assim comoa oração, a formação das consciências e o apelo à razão, os três aspectos desta força, explicados pelo Bispo de Roma aos jornalistas, são instrumentos eficazes para mudar a situação. Confiando na razão, comum a cada homem, e que portanto é a base para o confronto e o encontro com todos, como há anos Bento XVI vai repetindo com clareza.

E que não se trata de teorias abstratas sobressaiu com evidência do discurso dirigido pelo Papa no aeroporto de Amã, diante de um soberano num País que com os fatos está a demonstrar como pode proceder o caminho entre muçulmanos e cristãos, que na Jordânia são uma pequena minoria (come de resto em quase todo o Próximo Oriente). Peregrino nos lugares sagrados para a memória de Moisés e de João Baptista, Bento XVI alegrou-se que aí seja respeitada a liberdade religiosa. De fato, ela constitui um direito tão irrenunciável quanto a dignidade de cada homem e mulher, dignidade que deve ser respeitada em todas as partes do mundo.

Diante de Abdullah II o Papa indicou a via-mestra para promover os direitos humanos: uma "aliança de civilização" entre mundo ocidental e mundo islâmico que possa superar as nefastas dinâmicas das contraposições e do confronto. Num diálogo que não se pode limitar a estes dois interlocutores, mas deve alargar-se ao judaísmo num verdadeiro "diálogo trilateral", como manifestou Bento XVI diante dos jornalistas de todo o mundo. É a história comum que o impõe às três religiões monoteístas, é a razão que o pede. E a razão é dada por Deus a cada mulher e homem, sem distinções.

Giovanni Maria Vian


Fonte:

L'osservatore Romano, 16/05/2009.

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