sexta-feira, 18 de agosto de 2017

CAPELA DO ROSÁRIO (CAPELA MATISSE)

A Capela do Rosário, também conhecida como Capela Matisse, é uma capelinha construída entre 1949 e 1951 em Vence, nos Alpes Marítimos, para o Convento da Ordem de São Domingos, pelo arquiteto Auguste Perret (1874-1954) e decorada por Henri Matisse (1969-1954), tendo sido consagrada em 25 de junho de 1951.

Histórico
Sobre os montes de Vence, pode-se ver o telhado de telhas brancas e azuis, e uma cruz em ferro fundido, de uma modesta capela cuja arquitetura simples quase não se destaca. Esta capela é a obra-prima do pintor Henri Matisse, que a considerava como “a obra-prima de sua existência”, o “resumo de toda a sua vida ativa”. Ele dedicou quatro anos de trabalho exclusivo e assíduo à realização deste projeto que concebeu com sua antiga enfermeira e modelo Monique Bourgeois.
A amizade relativamente pouco conhecida entre Matisse e a jovem deu origem à decoração, feita pelo pintor, da Capela do Rosário. Matisse foi para a região de Vence para se tratar de uma grave doença, e publicou um anúncio procurando por “uma jovem e bela enfermeira” para ajudá-lo a se recuperar, sendo respondido por Monique Bourgeois, jovem enfermeira de 21 anos, amante das artes. Uma forte relação se estabeleceu entre o pintor e sua enfermeira, que lhe serviu de modelo. Durante o período da II Guerra Mundial os amigos foram separados. Quando se reencontraram, a jovem enfermeira havia entrado para a Ordem de São Domingos em 1946 e se tornado Irmã Jacques-Marie. Juntos, eles desenvolveram o projeto de construir uma capela para o Convento dos Dominicanos.
Matisse encheu-se de entusiasmo pelo projeto. Irmã Jacques-Marie lhe serviu de assistente e intermediária junto à comunidade religiosa das Irmãs Dominicanas. Para Matisse, a Capela de Vence representava o culminar de uma busca por concisão e despojamento, onde ele encontra, segundo suas palavras, “uma arte de equilíbrio, de pureza, de tranquilidade”. Muito doente, o artista não pôde participar da inauguração de sua obra, em 1951, e escreveu nessa ocasião:
 “Eu não busquei a beleza, eu busquei a verdade. Eu lhes apresento humildemente a Capela do Rosário das Dominicanas de Vence... Esta obra me exigiu quatro anos de um trabalho exaustivo e assíduo. Ela é o resultado de toda a vida ativa... Eu a considero, apesar de todas as suas imperfeições, uma obra-prima.”
Descrição da Capela
Muito controversa desde a sua conclusão, ela constitui não apenas uma grande obra de Matisse, mas também o testemunho da evolução da arte sacra no Século XX.Exteriormente a arquitetura é bastante despojada, nada parece indicar que se trata de uma capela senão uma imensa cruz em ferro forjado com “apogiaturas” em
folha de ouro realizadas pelo dourador Atilius Arrighi. A capela comporta duas naves convergentes, uma para as religiosas, outra para os leigos.  No interior, sob os vitrais com motivos em tons verdes, amarelos e azuis, os desenhos de Matisse se projetam sobre um fundo de cerâmica branca: São Domingos, a Virgem e a Criança, a Via Sacra. Até mesmo as vestes litúrgicas e ornamentos sacerdotais foram concebidos num espírito “coordenado”. O altar é voltado a 45º em direção ao Leste e para que se possa olhar ao mesmo tempo para as duas naves. É feito de uma pedra local cuja textura e cor parecem evocar um pão. Numa galeria adjacente, esboços e projetos de Matisse relatam as etapas atravessadas pelo artista até a conclusão da obra definitiva.


A Via Sacra
Cada uma das Estações da Via Sacra é acompanhada de uma meditação escolhida por um religioso da Congregação dos Dominicanos. Simplificado ao extremo, o desenho das cenas evoca a humildade e o despojamento. Nela Cristo nos é excepcionalmente mostrado. Para a representação de Cristo, o artista plástico Jean Vincent de Crozals servia de modelo a Matisse. Este escolheu ladrilhos de cerâmica uniformemente brancos a fim de acentuar ao máximo o contraste com o desenho negro – contraste apropriado ao trágico conflito entre vida e morte. Os dois outros sujeitos de decoração realizados sobre os painéis em cerâmica (A Virgem com o Menino e São Domingos) tornaram-se objetos de inúmeras séries de estudos. Sendo o conjunto da frente visualmente limpo, Matisse desenhou a Via Sacra, a Virgem e o grande São Domingos sobre a mesma cerâmica usada como piso. O pintor, em estado de meditação, com os olhos fechados em concentração máxima, estava trepado num estrado, o pincel mergulhado no esmalte e preso na ponta de uma vara de pescar: mas ele só pôde realizar assim, de uma só vez, estes afrescos devido a um longo trabalho preparatório de centenas de rascunhos sobre papel.
“Falando das Estações da Via Sacra, cujos estudos ele recomeçou infinitas vezes, Matisse me contou: ‘É preciso saber de cor estas coisas para que possamos desenhá-las com os olhos fechados.’ ”
Journal du Père Couturier  de 9 de agosto de 1951.

Os vitrais
Os vitrais, ligando-se diretamente às cerâmicas, constituem a alternativa indispensável ao “equilíbrio expressivo de duas forças, a cor do vitral do lado direito e o preto e branco em todo o lado esquerdo.” O verde, o amarelo e o azul, cores dominantes, são inspiradas por motivos vegetais.

Ao realizar este último trabalho para a Capela do Rosário em Vence, Matisse demonstra o que sempre proclamou ao dizer que a arte excede as “sensações das retinas”: “Eu não trabalho sobre a tela, mas sobre aquele que a vê.” Neste espírito, Matisse concebe e efetua os elementos arquiteturais (oficina branca, porta do confessionário e altar), os vitrais (O Céu sobre a terra, Jerusalém celeste, As Abelhas, O Vitral azul-pálido, A Árvore da vida e vitrais anexos ou um projeto de vitral, “Crucifixão”, não concluído), as cerâmicas (Páginas murais, A Via Sacra, A Virgem com o Menino, São Domingos, O Medalhão da Virgem) e as casulas, o que explica a excelente coordenação e a perfeita harmonia do conjunto.

Os ornamentos
Querendo realizar uma obra total, Matisse concebeu igualmente seis casulas de celebrantes para a Capela: branca, rosa, verde, violeta, vermelha e negra, tendo por base vinte estudos em guache sobre recortes, guardando apenas dois por casula (um para cada lado), num total de doze. Alguns desses documentos preparatórios estão expostos na Capela, bem como no Museu Matisse do Castelo-Cambrésis.

Citações
“Toda arte digna deste nome é religiosa. Seja uma criação feita de linhas, de cores: se esta criação não é religiosa, ela não existe. Se esta criação não é religiosa, trata-se apenas de arte documental, de arte anedótica... Que não são mais arte.”
— Henri Matisse
 “Mas por que você faz essas coisas? Eu concordaria se você fosse crente. Caso contrário, penso que você não tem moralmente direito de fazê-las.”
— Picasso a Matisse, sobre a Capela do Rosário
 “Eu disse a Picasso: ‘Sim, eu faço minhas orações, e você também, e você sabe disso muito bem: quando tudo vai mal, nós nos atiramos na oração para reencontrar o clima de nossa Primeira Comunhão. E você também faz isso.
Ele não negou.

No fundo, Picasso, não é necessário que finjamos ser maldosos. Você é como eu: o que nós buscamos encontrar na arte é o clima da nossa Primeira Comunhão.”
— Resposta de Matisse a Picasso

Bibliografia
•    Sob a direção de Marie-Thérèse Pulvenis de Séligny e de Zia Mirabdolbaghi, « Henri Matisse, a Via Crucis, Capeça do Rosário das Dominicanas de Vence », Catálogo da exposição apresentada em Nice, Museu Matisse (21 de abril-10 de setembro de 2001) e em Vence, no Castelo de Villeneuve (21 de abril-25 de junho de 2001), editado pela Reunião dos Museus Nacionais (2001), Coleção ReConnaître (ISBN 2711842576)
•    « Henri Matisse, La Chapelle de Vence », por Sœur Jacques-Marie, editado por Grégoire Gardette (1992) (ISBN 2909767000)
•    « Collection des gouaches découpées de la chapelle de Vence », por Henri Matisse, Bernard Chauveau Éditeur [1](2005) (ISBN 9782915837049)
•    La Chapelle de Vence, journal d'une création, Henri Matisse, M.-A. Couturier, L.-B.Rayssiguier, edition du Cerf, texto estabelecido e apresentado por Marcel Billot.
Artigos conexos
•    Lista de monumentos históricos dos Alpes-Marítimos
•    Vence
•    Henri Matisse
•    Lista de edifícios tombados como « Patrimônios do Século XX » dos Alpes-Marítimos
Tradução e Adaptação
Gisèle Pimentel

https://fr.m.wikipedia.org/wiki/Chapelle_du_Rosaire_de_Vence

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Hoje, 31 de agosto de 2016


Na sexta-feira passada, 26 de agosto, saí oficialmente da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Consequentemente deixei a Comunhão Anglicana e a Paróquia da Santíssima Trindade - Méier. Foram cinco anos de dedicação. Talvez um dia eu conte os porquês. Agora, só quero dizer que a Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, continuam sendo meu norte, meu rumo certo, minha vida.

Voltei à Igreja-Mãe, Católica Apostólica Romana. Foi onde cresci, onde aprendi os fundamentos da fé cristã. Claro, em muitos pontos divirjo dela - como divirjo dos meus pais - mas é onde quero estar. É a casa do meu Pai e da minha Mãe. É a minha história de vida.


Este ícone é um lembrete de que parte da minha história eu vivi no anglicanismo. Nele encontrei irmãos e irmãs incríveis, Conheci pessoas que quero apagar da minha mente, mas conheci pessoas maravilhosas que marcaram e continuarão marcando minha vida. Não larguei essas pessoas, que são pedras vivas da Igreja de Cristo. Larguei a instituição. Este ícone eu carregarei para sempre no meu coração. Ícone que foi escrito pelo Pe. Luiz Coelho, meu amigo, irmão, conselheiro, instrumento de Deus na minha vida e na de todos que o conhecem e amam.