segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Um Rei sobre a Cruz.

Sobre a trave vertical, Pôncio Pilatus mandara inscrever na Cruz do Senhor: “Este é o Rei dos judeus.” Para o governador romano, este seria o motivo da condenação do Nazareno, justificando assim uma sentença injusta, agradando ao mesmo tempo aos fariseus e aos romanos. No entanto, ele mesmo, lavando as mãos, poucas horas antes, havia declarado não encontrar motivo para a condenação de Jesus, a quem perguntara: “Tu és o rei dos judeus?” Ao ouvir a resposta, Pilatos retrucara com outra: “Então, tu és rei?” É bem verdade que os sumos sacerdotes haviam protestado contra tal inscrição que se tornaria célebre em todos os crucifixos ostentados desde então. Pilatos não volta atrás: “Aquilo que escrevi, está escrito.”
Diante da Cruz, não faltaram os que tentaram ridicularizar, transformando a inscrição em motivo de chacota: “Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo, desce da Cruz!”
Jesus, que já afirmara: “O Meu Reino não é deste mundo”, iria travar, como Soberano, a solene e definitiva batalha contra aquela que é a mais terrível inimiga do Homem. Não foge da luta: “mergulha de cabeça” transformando a cruz, símbolo de morte, em sinal de vitória; duelam o forte e o mais forte, é a vida que enfrenta e vence a morte.
Pela boca do centurião Longinus, Pilatos terá tomado conhecimento de quem era aquele Rei suspenso na Cruz: “Verdadeiramente este homem era o Filho de Deus!” Mas será o bom ladrão que roubará a cena. Condenado com Ele, consciente de seus pecados, sussurra como numa prece: “Jesus, lembra-Te de mim quando entrares no Teu Reino.”
Nós cremos que Jesus retornará como Rei da Glória, e o Seu Reino não terá fim. No entanto, desde aquele momento, esse Reino já se encontra no meio de nós. Como o bom ladrão, todos nós, que carregamos nossas cruzes, podemos escutar no coração as palavras do Rei, que tem a Cruz como trono: “Em verdade vos digo, hoje mesmo estarás Comigo no Meu Reino.”

Fontes:
Folheto “A Missa”, 34º DTC, 21/11/10.

domingo, 7 de novembro de 2010

Alegrai-vos.


Na celebração de Todos os Santos, o Céu e a Terra se encontram. Da Ilha de Patmos, São João contempla a multidão incontável dos eleitos, vestida com vestes brancas. A eles nos unimos em espírito, ao redor do trono do Cordeiro, celebrando antecipadamente o louvor e a Eucaristia sem fim.

Também as Bem-Aventuranças se situam, ao mesmo tempo, no Céu e na Terra: bem-aventurados os que neste mundo são puros, mansos e humildes de coração, os que sofrem e são perseguidos, porque será grande a sua recompensa no Céu.
Ao proclamar felizes os que vivem toda espécie de dificuldades neste mundo, Jesus nos convida a dar graças antecipadamente por aquilo que haveremos de receber, na casa do Pai, convidando-nos à alegria.
As bem-aventuranças não são um estímulo a uma atitude fatalista, a cruzar os braços diante das dificuldades e injustiças perante situações que não procuramos e não desejamos, mas que muitas vezes ocorrem ao longo da vida. Ao contrário, elas são um convite a não ceder ao pessimismo derrotista, tornando-nos amargos e deprimidos, para que, mesmo diante de situações que muitas vezes parecem insolúveis, não percamos a esperança nem nos deixemos abater pela tristeza e pelo vazio sem sentido.
Numa expressão: tomar a cruz que a vida e as pessoas nos apresentam, assim como Jesus assumiu a Cruz que os homens Lhe colocaram sobre os ombros. A experiência da cruz, por mais pesada que seja, já se nos torna um “pré-anúncio”de uma bem-aventurança.
Alegrai-vos e exultai, é essa a esperança que não decepciona...
Deus já nos antecipa uma alegria inaudita e sem parâmetros: os sofrimentos presentes não têm proporção com a glória que há de vir.


Fontes:

Folheto “A Missa”, 32º DTC, 07/11/10.
http://multiplan.files.wordpress.com/2009/03/jesus_maria.jpg