terça-feira, 12 de maio de 2009

Os Segredos de Dom Hélder

Durante todo o ano de 2009 a Igreja Católica no Brasil comemora o centenário do nascimento de dom Hélder Câmara. Bispo auxiliar do Rio de Janeiro e Arcebispo de Olinda e Recife, dom Hélder foi um verdadeiro profeta da justiça e da paz.

Ganhador de vários títulos internacionais e árduo combatente pela causa dos pobres e contra as arbitrariedades do governo militar, seu ministério era alimentado por uma grande intimidade com Deus e por uma profunda vida interior. Num texto seu, intitulado por ele próprio de “Regra de Vida”, dom Hélder nos ensina o segredo da grande eficácia de seus gestos e palavras.

Lutando contra a dispersão e a agitação que tantas vezes nos assaltam nas nossas muitas tarefas diárias, ele nos revela o seu segredo: em tudo e por tudo unir-se a Cristo e à vida trinitária que se manifesta em nós e ao nosso redor. Lendo esse texto com grande atenção, faça dele uma regra de vida diária para você também.


REGRA DE VIDA

I - Introdução

Quem vive sob o signo da unidade, da verdade, do belo e do bem, vive sob o sinal de Deus.

II – Da unidade como sinal de Deus

1 – É necessário, com a ajuda divina, realizar a unidade de sua própria vida. Lutar, a cada dia, para salvá-la, aprofundá-la ou recompô-la.

a) Um cristão tem de escolher dois pólos principais e decisivos de unidade interior:

+ unir sua vida à vida divina da Santíssima Trindade;

+ ser um com o Cristo, no corpo místico no qual nós somos inseridos desde o batismo

b) Os dois pólos podem, sucessivamente ou conjuntamente, carrear uma ajuda imensa para nos salvar da dispersão que tem o hábito, ao longo de todo o dia, de se operar em nós:

+ se nós nos acostumamos a fazer uso de todos os nossos sentidos, incluindo o da imaginação, para contemplar o dia todo a ação do Pai, do Filho e do Espírito Santo ao longo de todo o nosso caminho, nas circunstâncias ricas ou limitadas nas quais nos movemos, nós nos vincularemos ainda mais à Trindade e nós nos salvaremos da dispersão;

+ se nós nos habituarmos a emprestar o ouvido, os olhos, o olfato, o paladar, o tato, a imaginação, a inteligência e a vontade ao Cristo, de quem somos membros, nossa vida ganhará dimensões infinitas e nós estaremos ao abrigo da dispersão.

c) Unidos à Santíssima Trindade e a Cristo, nós não temos de fugir de nada, nada a temer, nós podemos tudo colher como vindo de Deus e devendo a Ele retornar.

d) A experiência ensina que, apesar das melhores resoluções e dos apelos à unidade mais decisivos, nós podemos acabar esquartejados, a partir do momento em que os diferentes pedaços se encontram aqui e acolá, no decurso das horas. Sem perder a paz e a serenidade, achando perfeitamente natural que as criaturas sejam criaturas e que a argila seja argila, nós devemos tentar salvar nossa unidade antes de dormir. Se ela não se refaz, adormeçamos confiantes e tranqüilos e coloquemos a nosso favor a Santa Missa da manhã do dia seguinte para reencontrar a Trindade e, particularmente, Jesus Cristo.

2 – É preciso, com a ajuda divina, viver ao serviço da unidade, ser apaixonado por ela, ser seu servidor, seu apóstolo, seu profeta e seu mártir. De onde, no espaço de vida ou de trabalho no qual Deus faz que nos movamos:

a) A necessidade de nada dizer ou fazer que sirva para a desunião, que leve para a intriga, que levante a suspeita ou provoque a frieza.

b) O cuidado de não se deixar influenciar pelo pai das intrigas e por seus mensageiros, às vezes pessoas de virtude e bons amigos utilizados pelo Maldito.

c) A alegria de desfazer intrigas, de promover a união, de ajudar a descobrir o lado bom das criaturas, de servir ao diálogo.

3 – A sede de unidade, para estar satisfeita, deve incluir todas as criaturas, de todos os tempos, de todos os lugares, de todas as raças, de todos os partidos e de todas as crenças.



Fonte:


http://www.riodedeus.com/personalidades.html

A Sabedoria da Cruz


«Quando tiverdes erguido ao alto o Filho do Homem, então sabereis que Eu Sou o que Sou»

O Salvador pende da cruz diante de Ti porque se tornou obediente até à morte e morte de cruz (Fl 2,8). [...] O Salvador pende da cruz diante de Ti, nu e despojado, porque escolheu a pobreza. [...] O Salvador pende da cruz diante de Ti, com o coração aberto. Derramou o sangue do Seu coração para ganhar o teu. Se o quiseres seguir na santa castidade, o teu coração deverá ser purificado de todo o desejo terreno. [...] Os braços do Crucificado estão estendidos para te atrair ao Seu coração. Quer a tua vida para te dar a Sua. Ave Crux, spes unica! Salve, cruz santa, nossa única esperança!

O mundo está em chamas. [...] Mas acima de todas as labaredas ergue-se a cruz, que nada pode consumir. É ela o caminho da terra ao céu e leva ao seio da Trindade aquele que a abraça com fé, com amor e na esperança. O mundo está em chamas. Sentes a urgência de as apagar? Eleva o teu olhar para a cruz. Do coração aberto jorra o sangue do Redentor, o sangue que apaga as chamas do inferno. Liberta o teu coração [...] e a torrente do amor divino o encherá até o fazer transbordar e o fará dar fruto até aos confins da terra.

Ouves os gemidos dos feridos de todos os campos de batalha? Não és médica, nem enfermeira, nem podes tratar as suas chagas. Estás fechada na tua cela, e não podes chegar ao pé deles. Ouves o grito de angústia dos moribundos? Desejarias ser sacerdote para lhes dar assistência. Estás emocionada com o sofrimento das viúvas e dos órfãos? Desejarias ser um anjo consolador e ir em socorro deles. Eleva os olhos para o Crucificado. [...] Se és Sua esposa, na fiel observância dos teus votos, o Seu precioso sangue será também teu. Ligada a Ele, estarás presente em todo o lado, como Ele também está. Não estarás aqui nem ali, como o médico, o enfermeiro ou o sacerdote, mas em todas as frentes, em cada lugar de desolação - presente pela força da Cruz. [...]

Os olhos do Crucificado estão postos em ti: interrogam-te, sondam-te. Estás pronta e renovar a tua aliança com Ele? Que Lhe vais tu responder?
«A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna» (Jo 6,68). Ave Crux, spes unica!



Fonte:


http://www.riodedeus.com/textos02.html