sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pentecostes

O que é o Pentecostes ?

O Pentecostes é uma das maiores festas cristãs, um dos mais importantes momentos do ano litúrgico. Pentecostes é uma palavra que vem do grego antigo πεντηκοστή [pentèkostè] : quinquagésimo(a) (dia após a Páscoa, neste caso); em grego moderno, pronuncia-se [pénticosti]. Esta festa cristão tem origens judaicas, que o Cristo vem cumprir totalmente.


As origens judaicas do Pentecostes

Originalmente, o Pentecostes é uma festa judaica, como a Páscoa. Uma festa agrícola transformada em festa religiosa. Ela se chama shavou’ot ou festa das semanas, pois acontece 7 semanas após a Páscoa. É chamada também de Festa das Primícias, sendo a Páscoa a Festa das Sementes.

Num segundo tempo, o Pentecostes tomará um sentido religioso. Ele lembrará o acontecimento histórico do momento em que Deus entrega a Torah a Moisés, no Monte Sinai. Assim, Shavou’ot (o Pentecostes judaico) é a conclusão, o encerramento daPesah (Páscoa judaica). Com efeito, é para lhe entregar a Torah que Deus fez Israel sair do Egito: a verdadeira liberdade consiste em aceitar seguir a Lei de Deus!


O Pentecostes após a Ressurreição : o Pentecostes cristão

O Livro dos Atos dos Apóstolos (2, 1-13) nos transmite o acontecimento que se deu no Cenáculo em Jerusalém, numa data entre os anos 30 e 33 da nossa era, no dia da festa judaica do Pentecostes, 50 dias após a ressurreição do Cristo.

"Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo e começaram a falar em línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem." (At 2, 1-4)

Assim, o Pentecostes cristão é a festa do dom do Espírito Santo.


O que significa este evento ?

A história dos Atos dos Apóstolos faz referência a "um grande ruído" vindo do céu, de um "vento impetuoso" e de "línguas de fogo" que pousam sobre cada um dos Apóstolos. O ruído, o vento e o fogo simbolizam a presença de Deus; eles são uma manifestação do poder divino. É a renovação da teofania (manifestação divina) ocorrida no Monte Sinai, comemorada no Pentecostes judaico.

Se o fogo simboliza a presença divina, as línguas de fogo que se dividem sobre as cabeças dos Apóstolos significam a descida do Espírito de Deus sobre eles. Estas chamas simbolizam o dom, feito a cada um deles, para torná-los aptos a proclamar com língua "de fogo" o Evangelho a toda a humanidade.

Enfim, a história menciona o dom que os Apóstolos e os discípulos receberam de orar em línguas, permitindo-lhes anunciar a Boa Nova do Evangelho a todas as pessoas de todas as nações. Pode-se ver aí uma resposta ao episódia da Torre de Babel. De fato, à época da construção dessa Torre, os homens estavam divididos na sua ganância de serem maiores que Deus.

No Pentecostes, os povos divididos encontram-se unidos quando o Espírito Santo se manifesta. A humanidade é chamada a viver esta unidade, não sem Deus, mas n'Ele.

Continuidade e novidade

Resumindo, se o Pentecostes judaico celebra as origens do povo hebreu como povo escolhido na Aliança feita no Monte Sinai, o Pentecostes que os cristãos festejam celebra o nascimento da Igreja, o novo povo de Deus, em proporções universais, que tomou forma quando Jesus ressuscitou. "Exaltado pela direita de Deus, havendo recebido do Pai o Espírito Santo prometido, derramou-o como vós vedes e ouvis" (At 2, 33) sobre o grupo dos Seus Apóstolos e discípulos, que n'Ele creram e receberam a missão de serem Suas testemunhas no mundo inteiro.

Assim, há uma continuidade na novidade: reunir o povo de Deus. Esta noção recente torna-se ainda mais ampla com a vinda do Espírito prometido por Jesus. Pentecostes é um novo acontecimento fundador de uma nova Aliança e de um povo idem.


Tradução e Adaptação:

Gisele Pimentel

gisele.pimentel@gmail.com


Fonte:

http://www.riodedeus.com/gisele01.html

domingo, 7 de junho de 2009

Uma Razão para Três Povos



A chave para compreender a viagem de Bento XVI à Terra Santa encerra-se numa palavra: peregrinação. O Papa disse-o e repetiu-o nestes últimos dias, insistindo várias vezes sobre a única intenção política deste seu importante itinerário, que é contribuir para a paz. E sobrevoando a Grécia, no encontro com os jornalistas, definiu com muita clareza que deseja contribuir para a paz não como indivíduo, mas em nome da Igreja católica. A qual não é um poder político, mas uma força espiritual.

Mas como pode uma força espiritual ser capaz de influenciar uma situação de persistentes tensões e conflitos, que há mais de sessenta anos pesa, complicada e dramática, sobre uma terra que é santa para os três grandes monoteísmos? Porque esta força espiritual é uma realidade. Assim comoa oração, a formação das consciências e o apelo à razão, os três aspectos desta força, explicados pelo Bispo de Roma aos jornalistas, são instrumentos eficazes para mudar a situação. Confiando na razão, comum a cada homem, e que portanto é a base para o confronto e o encontro com todos, como há anos Bento XVI vai repetindo com clareza.

E que não se trata de teorias abstratas sobressaiu com evidência do discurso dirigido pelo Papa no aeroporto de Amã, diante de um soberano num País que com os fatos está a demonstrar como pode proceder o caminho entre muçulmanos e cristãos, que na Jordânia são uma pequena minoria (come de resto em quase todo o Próximo Oriente). Peregrino nos lugares sagrados para a memória de Moisés e de João Baptista, Bento XVI alegrou-se que aí seja respeitada a liberdade religiosa. De fato, ela constitui um direito tão irrenunciável quanto a dignidade de cada homem e mulher, dignidade que deve ser respeitada em todas as partes do mundo.

Diante de Abdullah II o Papa indicou a via-mestra para promover os direitos humanos: uma "aliança de civilização" entre mundo ocidental e mundo islâmico que possa superar as nefastas dinâmicas das contraposições e do confronto. Num diálogo que não se pode limitar a estes dois interlocutores, mas deve alargar-se ao judaísmo num verdadeiro "diálogo trilateral", como manifestou Bento XVI diante dos jornalistas de todo o mundo. É a história comum que o impõe às três religiões monoteístas, é a razão que o pede. E a razão é dada por Deus a cada mulher e homem, sem distinções.

Giovanni Maria Vian


Fonte:

L'osservatore Romano, 16/05/2009.